sexta-feira, agosto 31, 2012

Aniversário IDEAL Canalizador de Coimbra

O peluxeu associa-se ao aniversário da IDEAL Canalizador de Coimbra.

Cerca de 3 anos após o seu fecho, o peluxeu volta a ter um  post.

Desta vez apenas para dar nota do primeiro aniversário da unidade de Coimbra da IDEAL.

Os Parabéns aproximam-se!!

sábado, abril 25, 2009

35 anos depois

por Anselmo Borges, DN 2009-04-25


Hoje é como se vivêssemos (ou vivemos mesmo?) numa democracia deprimida. Que se passou?

Para a abertura da exposição "Abril, ânimos mil", na Galeria da Associação 25 de Abril, em Lisboa, António Colaço desafiou-me para um intróito: "De que falamos, quando falamos de ânimo?"

1. A identidade humana é narrativa. Mas a história narrada de cada um(a) é sempre incomensuravelmente incompleta, pois seria preciso narrar a história do universo todo, donde vimos e onde somos, até ao big bang - a grande explosão. O universo é dinamismo, que se vai configurando em estruturas cada vez mais complexas, numa história com 13.700 milhões de anos e aberta.

De que falamos, quando falamos de ânimo? Deste dinamismo cósmico que se autoconfigura, da cosmogénese, da biogénese, da hominização. Deste dinamismo em luxo e luxúria, presente em milhares de milhões de galáxias e em expansão.

2. A estrutura mais complexa que conhecemos é o Homem. De que falamos, quando falamos de ânimo? Do Homem, no dinamismo da liberdade, com duas possibilidades: liberdade criadora e liberdade destruidora. O dinamismo do mundo, agora consciente e livre, na e pela relação, constrói; curvado sobre si mesmo, devora-se e destrói.

3. De que falamos, quando falamos de ânimo? Do amor cósmico, esse amor que tudo move, como disse Dante. É também esse amor - energia e dinamismo - que une a história dos povos. Por causa da liberdade, também eles criam e dinamizam ou oprimem e destroem.

De que falamos, quando falamos de ânimo? Também falamos da Revolução dos Cravos, de Abril. Foi o júbilo do "dia inicial inteiro e limpo", sob o desígnio de democratizar, descolonizar, desenvolver.

E assim se fez, mesmo se a descolonização foi inevitavelmente dramática, a democratização feita aos solavancos, o desenvolvimento, pouco e sobretudo pouco racional. Mas o que éramos e o que somos!... Não há nada que pague a liberdade, a democracia, recuo do analfabetismo, fraternidade de povos, igualdade de homens e mulheres. É disso que falamos, quando falamos de ânimo.

4. Mas, hoje, é como se vivêssemos (ou vivemos mesmo?) numa democracia deprimida, quase impotente, sem ânimo. Que se passou?

Ele foi a sofreguidão do ter sobre o ser, na ganância louca do consumo de teres, na perda de valores fundamentais, da honra, da dignidade e do espírito. Continua vivo o individualismo dos portugueses: não conseguimos interiorizar que o que é bom para Portugal é bom para mim. A situação do ensino não é felicitante. Ah!, aquela abertura apressada e sem critério de Universidades, para ganhar eleições! O fosso entre os muito ricos e os muitos pobres é cada vez mais fundo e parece que o maior da União. A corrupção campeia. Quem acredita ainda no sistema judicial? E os jovens desinteressam-se pela política, como que para evitar um lugar mal frequentado. Que Abril foi esse que, passados 35 anos, ainda permite 2 milhões de pobres? E quem sabe o que vem aí?

Ainda é de ânimo que falamos, quando o que nos visita é o desânimo? Sim, é ainda de ânimo, se o desânimo se tornar força dialéctica para a sua autosuperação.

5. O que aqui nos trouxe foi a arte. Sem beleza, não há salvação. O artista imita a natureza: não a natureza naturada, mas a natureza naturante, o dinamismo e o ânimo que habitam o universo enquanto força criadora originária. O artista é, por isso, génio: gera beleza a partir da fonte dinâmica do mundo e anima a esperança.

O mundo não é estático: está em processo e é processo. As suas possibilidades ainda se não esgotaram, e essa é a razão por que o ânimo não é apenas psicológico, mas ontológico, da ordem do ser. O processo do mundo ainda não transitou em julgado. Abril também não. Caídas as máscaras, poderemos reencontrar o ânimo daquela manhã primeira. Se foi possível no passado, porque não há-de sê-lo no presente e para o futuro?

A beleza abre ao futuro e à Transcendência e é promessa de ânimo, mesmo quando faz falar a arma da crítica e da sátira político-social. É disso que falamos, quando falamos de ânimo.

sábado, março 07, 2009

O bónus da prova

Fernanda Câncio, DN 2009/03/07
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Há semanas, Ferreira Fernandes escreveu, neste jornal, a súmula exacta do meu pensamento sobre a crise económica e financeira mundial. Algo como "Não percebo nada de economia e finanças. Mas fiquei a perceber que ninguém, a começar pelos que eram supostos perceber, percebe". Cito de memória e torço um bocadinho, como é uso quando se cita de memória: há sempre um encontro entre o que o outro diz e aquilo que nós diríamos ou gostávamos que ele dissesse. Como nos casos em que duas pessoas se lembram de uma conversa em versões completamente diferentes. Como no caso do relato do encontro entre Dias Loureiro e António Marta, então vice-presidente do Banco de Portugal, a propósito do BPN. É só um exemplo.


É um exemplo e nem sequer é muito importante: na verdade, como cidadã, contribuinte e jornalista, não estou particularmente interessada na conversa entre Dias Loureiro e Marta. E não me interessa porque o que quero saber é o motivo pelo qual a regulação portuguesa não logrou detectar e denunciar as falcatruas que, a crer no que se tem revelado nas audições parlamentares, se passavam no BPN, como as regulações do mundo todo não conseguiram ou não quiseram denunciar as falcatruas que se passavam nas mais poderosas e aparentemente respeitáveis instituições financeiras. Mais: eu queria saber - se conseguir perceber - como é possível que, aparentemente, a generalidade das instituições financeiras tenham passado os últimos anos a funcionar em termos que só podem ser caracterizados como estando no limiar da burla e da ladroagem, quando não milhas adentro do território. E queria perceber - sendo certo que é impossível - como se explica que assim continuem. Na revista Vanity Fair de Março, Michael Shnayerson conta como, após empocharem 700 mil milhões de dólares de dinheiro público que os salvaram da falência, os grandes bancos e seguradoras americanos, como a Merrill Lynch e a AIG, continuam a distribuir milhões em bónus às administrações e a uma parte dos seus funcionários. Shnayerson cita o exemplo de John Thain, CEO da Merrill Lynch, que em Dezembro de 2008, depois de vender a firma ao Banco da América por 50 mil milhões, o que pode implicar a perda de 30 mil empregos, "fez saber" que achava merecer um bonuzito de 10 milhões. A pretensão indignou toda a gente, levando uma série de (ir)responsáveis de instituições salvas com fundos públicos a jurar que em 2009 não ia haver bónus para ninguém. Sucede que, como o artigo demonstra, há e houve bónus, mais ou menos secretos. Esta total cupidez, aliada à incapacidade dos reguladores e do governo de acompanharem a atribuição de fundos com regras que impeçam tal pouca vergonha, é não só a mais eloquente explicação do desastre como o melhor retrato do sistema. Para os financeiros americanos (e todos?) é impensável relacionar coisas tão abstractas como os prejuízos das empresas que levaram à falência e o esforço do país para as salvar com os seus muito concretos proventos. A culpa não é deles: habituaram-nos assim.


terça-feira, dezembro 02, 2008

Art of Noise - The Seduction of Claude Debussy (1999)

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«"The Seduction of Claude Debussy" is not just a remarkable musical triumph, it is doubly so given how easily the whole thing could have collapsed under the weight of its considerable hubris. The Art of Noise are not exactly bashful, and here they are even less so than usual as they attempt what amounts to an electronica Debussy cover album. On top of it all, John Hurt provides highly stylized narration interspersed in the lulls and even sometimes during the most heightened drama of the album, describing Debussy's life and artistic brilliance, referencing half-known poets and the like. This project could have been totally dire in less capable hands, but fortunately Art of Noise knows what they're doing.
The source of strength of this release is that it is an album, not a collection of weak Debussy remixes. No techno-ridden piano-and-string loops here. Instead we have luscious piano cascades and classical guitar and mighty string crescendos flowing beautifully over ambience, dub beats and jackhammer drillnbass alike. After all, it wouldn't be enough for Art of Noise to put new beats to old music. After declaring at the end of "Il Pleure" that Debussy "was the revolutionary that set 20th century music on its way," they could do nothing less than give us a full and rich sampling of the entire palette of 20th century music, from jazz to bubblegum pop to dub and drum and bass to hip hop. Anything less would be an insult their chosen subject and hero.
For the most part, they succeed, although I personally found the rapper Rakim's surprising arrival in the middle of Track 6 [Rapt: In The Evening Air] to be a little jarring.
Most importantly, though, is that "Seduction" doesn't just work as an artistic concept, it works as music. It is a beautiful composition, with rich arrangements and terrific mixing, and covering an impressive degree of ground, never growing repetitive, always original and filled with aggressive experimentation and originality. I can't imagine whether Debussy himself would have liked or hated it, but what is probably certain is that he would not have been bored by it.»
[texto de Joseph Geni]

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(faixa 8 - The Holy Egoism Of Genius)

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Puro lirismo























Faltam-me, por enquanto, as palavras para falar sobre este filme. Venham as que vierem, faltar-me-ão sempre as que lhe farão justiça.


Dia dos namorados

Hoje é aquele dia chato.

Para os que namoram e pensam em oferecer algo e ainda não encontraram esse algo faço apenas uma sugestão. Ofereçam ao outro uma massagem a dois. Em Coimbra, sugiro o Beauty Stetik & SPA em Celas. Para hoje já não é possível, obviamente, mas a prenda não tem que ser recebida hoje...

Para os que não namoram, o melhor presente no dia de hoje é sem dúvida um mimo. De preferência em casa, sem casais a cada esquina. E, no dia em que começa o Festival Internacional do Chocolate em Óbidos, sugiro umas degustações do dito cujo em casa, com um bom livro, um bom filme ou uma boa música.

Quem é amigo, hem?

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Eyes of lust












Fritz Lang, Metropolis (1927)
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sábado, janeiro 19, 2008

Fim de semana

Hoje não tenho grandes sugestões para este fim de semana que já vai avançado... A internet voltou a pregar-me uma partida e continuo com uns problemazitos no acesso...
Daqui a pouco, ao meio-dia, dividam-se um pouco para ouvir, na rádio, claro, uma entrevista ao Manuel Alegre, penso que na Antena 1 e uma reportagem sobre as gravuras de Foz Coa na TSF.

As boas noticias são que talvez seja o próximo fim-de-semana que me vai finalmente trazer a visita à exposição do Hermitage em Lisboa.
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domingo, janeiro 13, 2008

Falemos de trabalho...

Gostamos todos muito de aproveitar a vida. Gostamos todos muito de viver o essencial da vida e de evitar o supérfluo. Olhando em redor é fácil encontrar o mundo de gente que se queixa do excesso de trabalho. Tudo trabalha demais; e na realidade tudo gosta do conforto de trabalhar demais. Dá conforto a quantidade extra de notas na carteira e dá conforto a falta de tempo e a monotonia causada pelo bulir do dia-a-dia e do ritmo casa-trabalho, trabalho-casa.

E digo isto em paz... Já trabalhei muito e por isso ganhei também muito. Felizmente por pouco tempo. Recentemente mudei a minha vida profissional. Informei a entidade patronal de que não pretendia renovar o meu contrato. Procurei novo emprego e estou de novo a trabalhar. Ganho menos. Trabalho menos. Chateio-me menos. Não estou ainda satisfeito. Preciso de ganhar ainda menos e de trabalhar menos. Preciso de focar a mente no que é essencial. O equilibrio entre contas a pagar e felicidade é algo dificil mas tenho a certeza que não se traduz numa escalão de 18% no IRS.

De certo modo dá algum conforto ouvir o mundo; nesses tempos em que trabalhei muito, um belo dia, um colega de trabalho queixou-se da chatice que era ter que fazer a noite e trabalhar o dia inteiro a seguir. Outro colega de imediato disparou uma proposta de troca. E a resposta surgiu num sussurro de silêncio - vil metal. Dá um certo conforto ouvir o mundo. E faz sorrir.

Imagem retirada de Puro Veneno

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sexta-feira, janeiro 11, 2008

Sugestões de fim-de-semana

Ora voltemos então aos poucos aos blogs e para isso talvez pela forma mais fácil, a das sugestões para o fim-de-semana:

1 - Ouvir, amanhã, na TSF entre as 12 e as 13 um programa sobre o Mosteiro de Tibães em Braga

2 - Visitar a exposição do Hermitage patente no Palácio da Ajuda, em Lisboa, até 17 de Fevereiro

3 - Dar um saltinho a Montalegre visitar a Feira do Fumeiro e do Presunto de Barroso, até 29 de Janeiro.

4 - Parar um pouco a vida. Aspirar a casa. Tirar o pó com calma. Folhear um dos livros da estante a limpar. Sentar no sofá e ler meia-dúzia de linhas. E voltar a colocá-lo na estante. Tirar pó com calma. Ouvir o vento lá fora. Parar um pouco a vida.
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segunda-feira, dezembro 17, 2007

"These"

are the desolate, dark weeks
when nature in its barrenness
equals the stupidity of man.

The year plunges into night
and the heart plunges
lower than night

to an empty, windswept place
without sun, stars or moon
but a peculiar light as of thought

that spins a dark fire –
whirling upon itself until,
in the cold, it kindles

to make a man aware of nothing
that he knows, not loneliness
itself – Not a ghost but

would be embraced – emptiness,
despair – (They
whine and whistle) among

the flashes and booms of war;
houses of whose rooms
the cold is greater than can be thought,

the people gone that we loved,
the beds lying empty, the couches
damp, the chairs unused –

Hide it away somewhere
out of the mind, let it get roots
and grow, unrelated to jealous

ears and eyes – for itself.
In this mine they come to dig – all.
Is this the counterfoil to sweetest

music? The source of poetry that
seeing the clock stopped, says,
The clock has stopped

that ticked yesterday so well?
and hears the sound of lakewater
splashing – that is now stone.
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William Carlos Williams
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Raios partam isto tudo!


Raio! É o que vos posso dizer a todos. Raios partam isto tudo... Onde andais vós todos, isolados nas vossas grutas?, seus grotescos engrutados... Perdoai quem possa não se rever na assunção... Pois bem, já passou um ano e nada li... que caiu disse-me no esquecimento para mais não se levantar, já não interessa, andam aí uns problemas tristes que mudam tudo... Está bem, correcto, e eu que estou aqui em mera parasitância, que nem conheço a maioria de vós, que direito me assiste de vir aqui mandar um grito?... Assiste-me porque estou aqui e deixo-vos este raio que lembra não sei que paragens esquecidas de mim mesma... Raios partam tudo isto... e vocês se por aqui passem nem que daqui a um ano, rasguem o silêncio com um outro raio, que se reveja no líquido da água do rio que não passa, detido que está em lente...

Bem hajam.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Aprendizagem por infecção ou por imersão

Por infecção: o professor inocula o aluno com um número limitado de bactérias. Estas - por mau hábito, preguiça e borgas -, vão permanecendo em latência ao longo do semestre. Na época de exames eclode a infecção. Feito o exame: nem período de convalescença nem nada - reabilitação total como se não tivesse havido surto infeccioso.
Por imersão: o aluno é submetido a um banho de informação. Ao início a água arrepia de tão fria. Ele debate-se por alguma saída. Nesse esbracejar gera-se calor que vai a pouco e pouco sendo transmitido às águas por via dos músculos. O esforço acaba por ser recompensado com a visão das escaditas que lhe permitem sair. Atrás de si fica um rasto de vapor que persiste.
(Metáforas inspiradas nas palavras de um professor.)
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domingo, novembro 12, 2006

Ice Age



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Fechar a porta de uma casa de gelo, para reflectir... sempre que a porta abre ficamos parados a olhar para o que virá de fora.


Procurar um sentido, uma determinação, quando o mundo é determinado pelo acaso. O que torna a vida um paradoxo gigante.

Nos dias de tempestade a porta está fechada, mas não trancada, porque existe sempre lugar para o renascimento no clima mais agreste, na presença do calor de amizade de quem nos ama.

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