quinta-feira, setembro 07, 2006

@ reading

.

"A Sombra do Vento"
Carlos Ruiz Zafón
Dom Quixote

.
O início é muito entusiasmante, toda a gente diz que se lê num sopro ( se fosse A sombra da Chama toda a gente diria que se lia num fogacho). É um best-seller também, 4 anos de edição e tradução em 20 línguas. Cá estão portanto alguns argumentos que a minha arrogância literária normalmente me faria pôr o livro de lado. Mas: Foi-me oferecido por pessoas de quem eu gosto muito, foi-lhes aconselhado por alguém que tem muito bons genes (pelo menos, que o resto ainda não conheço) e de facto, o inicio é excitante! Promete.
O recruta dará conta das impressões.
.

Dúvida de Recruta #1

.

.

Meu Capitão C., sobre a hipotética criação da banda invertebrada só me restou uma dúvida a partir das suas palavras (de comando, claro, meu capitão): mas será uma Boys Band?

.

BUG (2)

.
O careca definitivamente não. Não obrigado. Gosto demais do meu couro cabeludo como está. Já teve melhores dias, é certo. Ainda assim não quero que se lhe venha a aplicar o gone with the wind da calvície. Chamem-me vaidoso... mas não é por aí. Além disso, tem ar de manager (ou pelo menos encaixa num certo estereótipo), de quem puxa os cordelinhos nos bastidores. Preferia que dedilhasse as cordas de uma guitarra em vez dos tais cordelinhos. Portanto, opção excluída.

O trompetista tem um ar demasiado enjoado. Ar de quem passou a vida a soprar, ao ponto da fisionomia parecer ter sido lentamente sugada trompete adentro. Não me apetece ficar assim. (Sugestão: ouçam o "My Funny Valentine" tocado de forma soberba por Chet Baker).
O contrabaixista não digo que não. Embora avise que nós de gravata não seja o meu forte. Mas treino e paciência fazem milagres, até entre os mais ineptos, julgo. Agrada-me aquele ar de quem procura intrusar-se com os restantes elementos da banda. Está um bocado de parte, mas não é isso que o demove de dar o seu contributo. Além disso adoro o som do contrabaixo. Vibro com cada nota, com cada ressonância daquele som grave que, quando bem executado (sugestões: Charles Mingus, Ron Carter, Dave Holland, Ben Allison, entre outros), remexe com as entranhas todas. Som intrusivo, é o que é. Um feeling good swingado.

O saxofonista tem pinta. Cabelinho puxado para trás, ar sedutor. E sabe ler pautas ou aparenta sabê-lo (nunca se sabe bem que poses é que os músicos são capazes de fazer para sairem bem na fotografia). Colcheias, semi-colcheias, claves de sóis, compassos ternários, quaternários, etc. Coisas que sempre me fascinaram, vá-se lá saber porquê... Um secreto fascínio por linguagem criptada? Também gosto muito do som do saxofone. Quantas vezes não tem sido comparado ao timbre da voz humana? E há notas que parecem sair mesmo de dentro, como verdadeiros gritos de alma. (Sugestão: ouçam John Coltrane e como por vezes ele parece encetar um diálogo com o transcendente). Outras notas assemelham-se a sussuros ao ouvido, quentes, melodiosos, de quem nos diz coisas lindas, de quem nos descreve maravilhas na mais estreita intimidade. Um som que nos leva em viagem, um LSD sonoro.

Não sabia que os BUG viriam a ser uma banda de jazz... Não me desagrada. Para a bateria proponho que seja à vez. Num determinado dia, quem se sentir mais necessitado em descarregar certas tensões, tem direito a ocupar-se do lugar. E visto que não gosto de excluir ninguém (e acredito que isso também não faça parte do espírito dos BUG) proponho ainda que se abram vagas para as nossas queridas recrutas.
.

quarta-feira, setembro 06, 2006

BUG

.

.

Daqui a 10 anos, camaradas... Aceitam-se sugestões: quem é quem? Quem será o 4º elemento? Seremos mesmo a pior banda do mundo?

.

Footprints

.




.
.
Obrigado pelo passe-partout, meu capitão. Aqui fico eu sob o meu pseudónimo M(aagla). Davis. Espero agradar.
.

Livre-passe

.
Regozijo-me com a vontade férrea com que o recruta Fábio deseja mostrar serviço. Espírito de entrega e de iniciativa é o que se deseja para este pelotão. (O discurso poderia continuar, mas simplesmente não há pachorra para desfiar todo o jargão militar. Poderia também ter sido retirado de um certo reality show. Só não o foi por mero acaso e por respeito ao limiar mínimo de originalidade que se exige de um blog.)
Autorização concedida, caro recruta Fábio. Da minha parte, tem livre acesso à base. O passe-partout é válido por tempo indefinido. Desde que se lembre da senha obviamente. "Trabalhos Sujos"... só para todos saberem do teor. Fica por combinar a contra-senha. O teor? Em conformidade, obviamente.

Requisição formal #1

.

Em honra às minhas colegas peço autorização a um dos meus distintos superiores para aqui e agora deixar flutuar no ar alguns momentos de harmonia.

Srs. Capitães, posso?

.

Hi Sir!

.



.
Apresento-me às ordens, Meus Capitães, destituído das pequenezes do mundo exterior, e pronto a mostrar serviço. Sei que somos 3 novos recrutas e sei-nos a todos prontos para a exterminação do borboto.
Para já anima-me saber que se trata de um pelotão misto.
.

terça-feira, agosto 29, 2006

Da produtividade dos nórdicos e dos latinos

.
"O calor não dispunha ao trabalho mas ao lazer total, enquanto o frio era aparentemente mais fecundo, incitava à acção*. As ideias germinavam nos homens durante o Inverno, mas no Verão, a verdadeira natureza das pessoas aparecia muito melhor."


.
in "Os Cavalos de Tarquínia" de Marguerite Duras.
.
*
certas acções nem por isso, clama toda uma horda de veraneantes.
.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Pragmatismo

.

«Todo o homem prático procura pôr o mundo direito e todo o pensador pretende vê-lo de cabeça para cima. Caberia a cada um deles verificar em que medida o consegue.»

«Não basta saber; é igualmente necessário aplicar. Não basta querer; é também necessário fazer.»

«Durante quantos anos é preciso ir fazendo, para chegar a saber alguma coisa sobre o que há a fazer e para se perceber quanto se deve fazer!»
.

in "Máximas e Reflexões" de Goethe.

.

domingo, agosto 20, 2006

Simpsonite e o homem médio

.


Chegado ao inferno, se me fosse dado a escolher entre um dos seguintes tormentos: voltar à Terra na pele de um português “médio” ou na de um americano “médio”, preferia mil vezes o segundo: tem mais guito, não usa bigode, não urina em locais públicos, nem costuma cuspir para o chão à passagem de outros transeuntes.
Pior do que me prestar a essas tristes figuras, seria o facto de não haver meio de o evitar. Aí é que reside o verdadeiro tormento. Passo a explicar: acontece que a essas criaturas parece estar vedada qualquer hipótese de regeneração. Para fazer alguma luz sobre isto, tenho forçosamente que introduzir aqui (mas sem me atrever a explaná-lo) um conceito que tem gerado acesas discussões entre filósofos e não só: o determinismo, a (pré-)determinação. Pelo padrão repetitivo dos seus comportamentos e hábitos, boçais acrescentaria, sou levado a crer que falta às criaturas “médias” (que admito não passarem de “tipos” no sentido sociológico) o palavrão no quadrante oposto que é o livre-arbítrio. Não há volta a dar, por mais que se tente reeducá-los, tornam à estaca zero e aos maus hábitos. Estão como que pré-determinadas nesse sentido.
Também deve haver uma componente fisiológica em todo esse fenómeno. O nível de endorfinas no cérebro deve disparar quando por exemplo se urina seja contra uma árvore ou um carro e se sacode a genitália ao ar livre. Não desdenhemos das virtudes de certas aragens.
A componente genética também não deve ser de se menosprezar: heranças de antepassados que sempre fizeram tudo às claras, enquadrados na beleza e tranquilidade da natureza. Um certo desejo de retorno às origens, um desejo quase naturista de regresso aos elementos deve correr nos genes do homem “médio”. Isto remete-me para uma das suas maiores aspirações: a de ser naturista. Sem desprimor para os naturistas, que estando perfeitamente enquadrados com a natureza, são gente geralmente civilizada e com bons modos.
Porém, para infelicidade do homem mezzo, o seu físico regra geral não abona em seu favor. Arredado das lides naturistas por motivos estéticos, o “homem médio” está portanto encarcerado num impasse aparentemente insolúvel: pré-determinado a não ter força nem vontade para moldar o corpinho, mas continuando a sentir em si um forte apelo naturista. Daí que tenha de se contentar com as proezas que todos lhes reconhecemos quando com eles nos cruzamos na rua. Só a título de exemplo: quando o homem médio cospe para o chão, fá-lo a modos que inconsciente. É então nessas alturas que passa a ser recompensado, claro que tendo plena consciência disso, com um dos mais vívidos sentimentos de liberdade. Mesmo os transeuntes que ficam nauseados à vista de tal excreção, geralmente não se atrevem a recriminar a “criatura média”. Porque ao transeunte nauseado, ditam-lhe os genes dos antepassados que não se recrimina uma tal manifestação de liberdade, não se estraga assim o prazer alheio. Quanto ao naturista, este não sente sequer a tentação de cuspir para o chão, porque satisfaz plenamente o seu desejo de regresso às origens nas horas em que se despoja das vestes na praia. Uma vez que isso do corpinho ao léu na praia está vedado ao homo mezzo, ele compensa-o também com um mínimo de superfície corporal ao léu: no momento de escorrer as águas num qualquer canto. O prazer é inqualificável, obviamente só superado pela cópula ao ar livre. Uma prerrogativa, porém, raramente ao alcance do homo mezzo. Daí que tenha de se desenrascar por outros meios.
Estranhamente, também o futebolista entra na categoria paradoxal do “homem médio”. Praticando uma actividade ao ar livre, contactando a cada passo com a relva, comendo-a até, caso o desenrolar do jogo assim o exija, não se percebe muito bem a proficiência com que cospe para a relva. Está certo que a produção de saliva é comum a todo o ser humano, mas há quem engula, bolas! A salivação e as suas escorrências pelos beiços, também o efeito pavloviano o comprova para determinados estímulos. Ora, correr atrás da bola, esforçar-se por tê-la na ponta dos pés, é o supremo estímulo para o futebolista. Daí a salivação abundante. Os vigores do desporto-rei implicam além disso uma elevação dos níveis de testosterona. Daí advêm características como a combatividade, a agressividade e a competitividade. A afirmação de força e a marcação do território são provavelmente asseguradas pelas profícuas cuspidelas.
E o que é que isto tem a ver com os Simpsons? Pouco, ou muito pouco. Talvez a ideia preconceituosa que um grande número de europeus tem do “americano médio”, personificada em todo o seu esplendor (talvez não tão calvo) na persona (a meu ver: muy grata) de Homer Simpson.
Depois disto vão-me dizer: "Eh pá! Preconceitos tens tu! Olha só a ideia que tu fazes do português médio..." E será que existe isso do homem, do português ou do americano médio?
.
P.S. . Durante umas semanas, guardei este texto sem pés nem cabeça como rascunho, enquanto me decidia se devia postá-lo ou não. Pá! Perdi algum tempo a escrevê-lo, e esse é o único motivo porque aparece aqui.

Mesmo esgotado...

.


(daqui)

.

sábado, agosto 19, 2006

Mas afinal, onde pára o Peluxeu?

.

(Ben Joyce, Net Orgy)

. .
Um ser tão inocente quanto ele?! Custa-me a crer... Além disso, julgo que nem ele aguentaria umas férias inteiras nisso...

. .

quinta-feira, agosto 17, 2006

terça-feira, agosto 15, 2006

Do outro lado do rio

.


Estou sentado numa esplanada junto ao mondego. Tenho água por baixo dos pés e que hoje se ouve porque está muito vento. O acesso wireless da camara municipal permite que esteja a escrever aqui ao mesmo tempo que olho para o rio. O meu futuro apartamento será ali - do outro lado do rio. Não se vê, está tapado pelas árvores. Ainda assim, será para onde eu me mudarei lá para o final do ano.
.





.
Hoje não faço nada. Não leio, não estudo, nada. Limito-me a olhar para o outro lado do rio.
Sim, a amizade é algo importante. Mais: o coração, por oposição à razão, é algo importante.

A minha namorada está de férias. Olho o outro lado do rio.
.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Pintura, Ontem, Cargaleiro

.

O nome do senhor é um pouco estranho (pelo menos a mim soa-me como estranho - mas também sou sincero em admitir que de pintura percebo pouco) mas trata-se da minha mais recente descoberta na pintura.O dito senhor é já sobejamente conhecido, tem até já uns largos anos nessas lides.

Não se dedica só à pintura e dedica-se também à escultura e pinta copos e coisas assim.


Tem um museu público com o seu nome, em Itália, mas é nascido aqui, lá para os lados de Castelo Branco.

.


©marie-paule nègre, 2000.

."Conheci-o" ontem, através de um livro. Fiquei a saber que é simpático, que escreve o nome com letras garrafais, não poupando o papel. Fiquei a saber que pode colocar um circulo por baixo do nome e que fica bem.



Pintura abstracta.

Bonita.

Toda ela.

Prefiro a mais recente, com maior verticalidade..

@ reading (13)


Etgar Keret
" O Motorista De Autocarro Que Queria Ser Deus".




Até agora, meia dúzia de páginas volvidas, não está a ser algo de absolutamente estonteante a sua leitura, ainda assim, não é uma escrita que nos deixe indiferentes. Tem o mérito de me ter reconciliado um "poquito más" com a leitura, uma vez que a ausência de tempo e de disposição me afastaram certamente um ano das letrinhas pequeninas - não dos livros, mas sim das letras que os tornam livros. Atenção ao vocabulário que por vezes traz consigo uma ou outra expressã
o obscena. Não quero cá avisos de morte no blog a dizer que eu ando a desencaminhar ninguém.

A página web do autor será eventualmente um dia aqui.
.

¶♪♫♪ Listening ¶♪♫♪


Cafe Del Mar - Vol. 11


Paz de espirito, muita paz de espirito.
.

terça-feira, agosto 08, 2006

Fábio

Cada vez fico mais convencido de que todas as pessoas vivas teriam algo a ganhar em estar meia-hora da sua vida com um rapaz chamado Fábio. É precisamente esse que vem uma vez ou outra e com o qual eu revi passados uns dois anos de ausência mutua.
Talvez um dia tenha estado de espirito para descrever o porquê desta opinião, mas que fique o esclarecimento óbvio para os conhecedores da personagem, de que eu não estou - e falo mesmo muito sinceramente - a contar em precisar de recorrer aos serviços de qualquer anestesiologista e portanto isto não é graxa.
Aliás, o Fábio, e quem o conhece sabe certamente de que as coisas são mesmo assim, é aquele tipo de pessoa que nos faz falta.
Foi bom, portanto, o reencontro.
.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Obviamente

E eis-me enfim por cá de novo. E com óbvias novidades, que quem regressa é justo e normal que as apresente; que faça o relatório do sucedido. Apresento-me aqui para transcrever essa parte premente que é então o relatório.

Escrevo em código porque dói-me a alma e escarafunchar pelos seus caminhos não faz obviamente parte da obrigação de relatar.

E o primeiro apontamento que escrevi na mente (só para não me esquecer - claro está ) diz-me que devo falar da vida amorosa: eis-me de novo com uma relação. Uma relação com uma mulher doce, muito doce.

Quanto ao resto, as novidades são mais vastas e mais complexas:

    1. Profissionalmente: Passei disto para o desemprego a tempo inteiro. Espero que este seja um desemprego com contrato a termo certo, de preferência só a até ao fim do mês de Setembro e que não seja renovável.
    2. Socialmente: Voltei aos meus encontros regulares, numa base semanal, com o meu amigo Cláudio.
    3. Financeiramente: Estou no limiar do encarceramento prisional por ter um crédito largamente superior ao que vale o meu pobre "coiro".
    4. Espiritualmente: Não mudou muito desde a última vez que olhei para dentro. Apenas mais questões do que antes. Apenas mais dúvidas do que antes. Apenas mais vontade de saber se este homem dá consultas a crédito

Acabo por aqui hoje. Nãi mi apiteci dilacerar mais nada. Chega de exposição diária.

Para a semana que vem um ou outro texto meu, antigo, obviamente...

.